mercredi 19 mai 2010


AOS MEUS AMIGOS DO HEMISFÉRIO SUL

Completaram-se agora, no princípio de Maio, dois anos do meu reencontro com os "amigos do Hemisfério Sul". Senti que devia escrever sobre isso...
Não estarei a exagerar se disser que esse reencontro alterou o rumo e ritmo da minha existência! (interjeição exclamativa e com muita ênfase!!!)


Andava eu na minha pacata existência por pacatas terras europeias de pacatas tradições quando, sem esperar, de um momento para o outro, de forma arrebatadora, total, incontrolável e irreversível vi-me passar pelo túnel do tempo! (Sim ele existe e posso dar fé!) E que viagem maravilhosa que me levou aos píncaros da emoção! Entrei, claro, num delicioso estado de euforia que se assemelhava quase ao estado de enamoramento... andava nas núvens, não tinha fome nem sono, todos os dias aparecia mais um amigo do meu passado longínquo e feliz... foi uma festa dentro de mim!

Depois o virtual deu lugar ao real e os amigos encontraram-se, abraçaram-se, relembraram os velhos tempos, compararam aquilo que foram com aquilo em que o tempo e a vida os tinha tornado e, tomados dessa emoção, enxugaram-se mutuamente as lágrimas que foi impossível conter...
Foi lindo. Mas para mim o que se seguiu foi ainda mais lindo...

Passada a emoção e a euforia a realidade voltou à cena com a sua "amiga inseparável" rotina e tratou de repôr os amigos nos "carris da vida", até os mais rebeldes (como eu!rsrs) Todo o mundo voltou, obediente, para o seu "trenzinho". E eis que surgiu a pergunta: e agora? Como manter a proximidade apesar das vidas paralelas e tão distantes? Coisa tão difícil de administrar...

Alguns amigos seguiram no seu "trenzinho" mas outros resolveram continuar a partilhar as suas vidas e tudo o que faz parte delas, alegrias, tristezas, lutas, conflitos, dúvidas, frustrações, fragilidades, esperança, dor, amor...
Essa foi para mim a melhor parte do reencontro e não me canso de agradecer a Deus por este presente que tem representado uma "mais valia" na minha vida ao longo destes dois anos. Este contacto diário, do qual recebo tanto amor, ternura, carinho, apoio, doçura e a certeza absoluta de que a distância não mede de forma nenhuma o afastamento quando se ama e quer-se estar junto. E eu sinto-me tão perto de vocês, meus amigos do Hemisfério Sul!!!

dimanche 16 mai 2010

Novo Centre Pompidou-Metz - L'art à portèe de la main


O novo Centro Pompidou-Metz, com a sua dupla dimensão regional e europeia, é a primeira experiência de descentralização cultural em França a ser orgnizada por um organismo nacional. Este local cultural inédito será uma projecção do Centre Pompidou (Paris) sem no entanto ser uma réplica e responderá ao desejo afirmado de melhor difundir e divulgar as colecções de arte moderna.
Metz é a cidade francesa mais próxima do Luxemburgo, a escassos 70 km do Grão-ducado, e oferece uma grande diversidade cultural. Agora com o novo Centro Pompidou há mais uma razão para ir até lá. Estou radiante! :)

jeudi 13 mai 2010

Il Postino (scene 7-8)

IL Postino

Hoje apeteceu-me falar de um filme que se tornou "coisa minha" por me ter provocado um poderoso cocktail de emoções: "Il Postino" ou "O Carteiro de Pablo Neruda"

O filme, dirigido por Michael Radford e baseado no livro Ardiente Paciencia de António Skármeta, conta a história da amizade entre o poeta Pablo Neruda, exilado numa ilha de Itália, e um humilde carteiro, quase analfabeto, encarregado de cuidar da correspondência do poeta. Gradualmente, forma-se entre os dois uma sólida amizade. O carteiro Mario aprende, pouco a pouco, a escrever seus sentimentos por Beatrice, sua amada, e Neruda ganha, em troca, um ouvinte compreensivo para suas lembranças saudosas do Chile.

O filme é feito de e sobre emoções. As emoções latentes que estão lá, à flor da pele, mas que não ousam mostrar-se, como o amor sentido em segredo... o desejo contido... e as outras, as emoções que fluem visíveis nos sentimentos de nostalgia e de saudade da terra, da vida que ficou lá, longínqua, do outro lado do mar, no sentimento de solidão e isolamento, e nas lembranças que são a ressonância de uma vida que não existe mais. Tudo isto fluindo em forma de poesia. É a história singela mas comovente da amizade entre um poeta exilado e nostálgico (Pablo Neruda) e um carteiro analfabeto com um poeta dentro de si e com sede de aprender, para quem tudo ao redor se torna poesia: o mar, a ilha, as embarcações, os pescadores, o som do vento e o canto das gaivotas, a praia e as ondas que nela se quebram, o céu, a imensidão, os sons do silêncio, os sons da alma... e do amor... Impossível ficar indiferente a tanta beleza e emoção brotando, em forma de poesia, desta história. Depois do filme, falta a leitura do livro, acho que vou procurá-lo, preciso voltar à ilha do poeta aprendiz...

samedi 1 mai 2010

Duccio Nacci


Conheci Duccio Nacci na sua cidade natal, San Gigminiano, onde ele nasceu, vive e trabalha até hoje. Passando na Piazza del Duomo, chamou-me a atenção aquela vitrine com fotos lindas. Parei para olhar mas logo fui atraída para dentro e deparei-me com um atelier repleto de fotos magníficas da Toscana: tinha entrado na Botega del salle de Duccio Nacci!
Centenas de fotos a preto e branco e a côres, para todos os olhares, para todos os gostos mas todas elas plenas de emoção e expressividade. Perguntei se tinham à venda um livro com as fotos expostas e a resposta foi positiva, Toscana dell'anima... ao lê-lo fiz a maravilhosa descoberta dos poemas que acompanhavam cada foto. Cerca de 200 páginas de maravilhosas fotografias ilustradas com palavras (e não o contrário), que são como uma legenda para aquilo que os olhos vêem e para o que a alma capta. Posso dizer sem exagerar que esse contacto com um filho da Toscana e sua maneira apaixonada de ver a sua terra, as gentes, a arquitectura e a própria arte foi um dos momentos altos da viagem. Agora sempre que quero "regressar" à Toscana folheio o livro, leio os poemas e deixo a imaginação fazer o resto...

mercredi 28 avril 2010

Pollock:
Ah! A glória de pintar
frescos de sonho
no silêncio crispado de raiva
deixando as raízes quebrarem a crosta
e florescerem nos dedos...