dimanche 16 mai 2010

Novo Centre Pompidou-Metz - L'art à portèe de la main


O novo Centro Pompidou-Metz, com a sua dupla dimensão regional e europeia, é a primeira experiência de descentralização cultural em França a ser orgnizada por um organismo nacional. Este local cultural inédito será uma projecção do Centre Pompidou (Paris) sem no entanto ser uma réplica e responderá ao desejo afirmado de melhor difundir e divulgar as colecções de arte moderna.
Metz é a cidade francesa mais próxima do Luxemburgo, a escassos 70 km do Grão-ducado, e oferece uma grande diversidade cultural. Agora com o novo Centro Pompidou há mais uma razão para ir até lá. Estou radiante! :)

jeudi 13 mai 2010

Il Postino (scene 7-8)

IL Postino

Hoje apeteceu-me falar de um filme que se tornou "coisa minha" por me ter provocado um poderoso cocktail de emoções: "Il Postino" ou "O Carteiro de Pablo Neruda"

O filme, dirigido por Michael Radford e baseado no livro Ardiente Paciencia de António Skármeta, conta a história da amizade entre o poeta Pablo Neruda, exilado numa ilha de Itália, e um humilde carteiro, quase analfabeto, encarregado de cuidar da correspondência do poeta. Gradualmente, forma-se entre os dois uma sólida amizade. O carteiro Mario aprende, pouco a pouco, a escrever seus sentimentos por Beatrice, sua amada, e Neruda ganha, em troca, um ouvinte compreensivo para suas lembranças saudosas do Chile.

O filme é feito de e sobre emoções. As emoções latentes que estão lá, à flor da pele, mas que não ousam mostrar-se, como o amor sentido em segredo... o desejo contido... e as outras, as emoções que fluem visíveis nos sentimentos de nostalgia e de saudade da terra, da vida que ficou lá, longínqua, do outro lado do mar, no sentimento de solidão e isolamento, e nas lembranças que são a ressonância de uma vida que não existe mais. Tudo isto fluindo em forma de poesia. É a história singela mas comovente da amizade entre um poeta exilado e nostálgico (Pablo Neruda) e um carteiro analfabeto com um poeta dentro de si e com sede de aprender, para quem tudo ao redor se torna poesia: o mar, a ilha, as embarcações, os pescadores, o som do vento e o canto das gaivotas, a praia e as ondas que nela se quebram, o céu, a imensidão, os sons do silêncio, os sons da alma... e do amor... Impossível ficar indiferente a tanta beleza e emoção brotando, em forma de poesia, desta história. Depois do filme, falta a leitura do livro, acho que vou procurá-lo, preciso voltar à ilha do poeta aprendiz...

samedi 1 mai 2010

Duccio Nacci


Conheci Duccio Nacci na sua cidade natal, San Gigminiano, onde ele nasceu, vive e trabalha até hoje. Passando na Piazza del Duomo, chamou-me a atenção aquela vitrine com fotos lindas. Parei para olhar mas logo fui atraída para dentro e deparei-me com um atelier repleto de fotos magníficas da Toscana: tinha entrado na Botega del salle de Duccio Nacci!
Centenas de fotos a preto e branco e a côres, para todos os olhares, para todos os gostos mas todas elas plenas de emoção e expressividade. Perguntei se tinham à venda um livro com as fotos expostas e a resposta foi positiva, Toscana dell'anima... ao lê-lo fiz a maravilhosa descoberta dos poemas que acompanhavam cada foto. Cerca de 200 páginas de maravilhosas fotografias ilustradas com palavras (e não o contrário), que são como uma legenda para aquilo que os olhos vêem e para o que a alma capta. Posso dizer sem exagerar que esse contacto com um filho da Toscana e sua maneira apaixonada de ver a sua terra, as gentes, a arquitectura e a própria arte foi um dos momentos altos da viagem. Agora sempre que quero "regressar" à Toscana folheio o livro, leio os poemas e deixo a imaginação fazer o resto...

mercredi 28 avril 2010

Pollock:
Ah! A glória de pintar
frescos de sonho
no silêncio crispado de raiva
deixando as raízes quebrarem a crosta
e florescerem nos dedos...

lundi 26 avril 2010

Jesusalém


Há anos que eu ouvia falar de Mia Couto mas sempre adiei a descoberta... muitos outros livros se entrepuseram até que um dia alguém trouxe até mim um Mia Couto lido e experimentado e apresentou-me "Jesusalém". E foi tão persuasivo e deu-me com tanto empenho a garantia de que eu iria gostar que não pude adiar mais e na primeira oportunidade adquiri o livro.
O amigo tinha razão... é um oásis!
Depois de ter passado um bom tempo a ler livros "muito bons" que me roçavam a alma como uma tangente veio enfim um que entrou em mim como uma lâmina de dois gumes. Acredito que todos os livros têm um momento para serem lidos, um livro que nos fala hoje de uma forma especial pode passar-nos totalmente "ao lado" numa outra altura da vida... Jesusalém tinha a forma do "M" do Meu Momento.
Se fizer uma primeira análise direi que é um livro triste. O tema é a tristeza, o exílio, a fuga, o isolamento, é um livro feito de silêncios, carências e mágoas, e no entanto exala esperança e comove porque mostra os avessos da alma, sim é isso: vira a alma do avesso! O avesso do ressentimento, o avesso da loucura, o avesso da mágoa o avesso da tristeza e o avesso daquilo que não se ousa mostrar porque é a parte mais fraca, mais vulnerável e mais frágil da alma humana, o amor. Mia Couto aborda tudo isso com uma beleza poética comovente, transformando a crueza em doçura à qual é impossível ficar indiferente... um espelho para a alma que nos faz sentir mais indulgentes com os outros e connosco... afinal fica tudo explicado... afinal o que resta é a fragilidade e a impotência na busca incessante do amor...
O meu Jesusalém está todo sublinhado e tenho a certeza que vou procurá-lo muitas vezes só para sentir o prazer das palavras a entrarem em mim de novo...
Muito obrigada, amigo querido, pela descoberta! :)

dimanche 18 avril 2010

Toscana


Lugar suave e sensual... de paisagens doces e redondas... de campos ondulados de verde em degradée... oliveiras, vinhas, montes.... e os ciprestes que quebram a "monotonia" daquele mar verde sob um céu baixo cheio de nuances... lindo!
Em contraste, a riqueza artística das cidades com seus duomos e palazzios sumptuosos, amarelos, ocre, rosa, laranja, avermelhados, de janelas pintadas de verde, que olham as ruas onde passa a vida barulhenta e escutam o silêncio dos becos e pátios floridos, onde crianças brincam e onde chilreiam passarinhos...

A Toscana convidou-me à introspecção, ao exame, a olhar a vida e o que me sucede com um olhar mais doce do que aquele que normalmente tenho no meio da azáfama e das obrigações da outra vida, aquela à qual não posso fugir e da qual não sou tão senhora assim...
A beleza adoça a alma. Pude sentir isso. Senti-me mais doce e maleável... quando se olha e se respira tanta beleza e suavidade não é difícil compreender o impacto que isso teve na inspiração de tantos artistas maravilhosos... e ao ver as estátuas da Piazza di la Signoria e as maravilhosas telas de Boticcelli na Galeria dos Ofícios senti o pulsar do espírito toscano na beleza que se vive e respira através da arte...

Em Florença fiz o exercício de andar por lá como se fosse um dos muitos personagens históricos que lá viveram. Assim, ao ver o rio Arno e a Ponte Vechio, imaginei Dante Allighieri olhando o pôr do sol e pensando em trechos da Divina Comédia. Ao passar a mão na pedra de uma esquina imaginei Miguel Angelo fazendo o mesmo gesto, escultor sentindo o pulsar da pedra que esculpe... e ao ver as nuances daquele céu ao pôr do sol e os reflexos dourados no Arno, imaginei Boticelli olhando esse quadro e vendo uma vénus emergir do Arno sobre uma concha...

Fiquei cativada e cativa. Gostaria muito de lá voltar... e, se voltar, não me vou esquecer nem das tintas nem dos pincéis!!